Sair da Galiza ou do norte de Portugal rumo a qualquer destino europeu ou intercontinental costuma começar pela mesma decisão: apontar em direção ao terminal que concentra a maior parte das ligações internacionais da região. Chegar com tempo suficiente e conhecer os pormenores do trajeto marca a diferença entre uma viagem stressante e uma experiência fluida. Por isso, quando planeio qualquer deslocação aérea, dedico alguns minutos a rever os acessos e o funcionamento interno do aeroporto sá carneiro, a grande porta aérea do norte português que tantos viajantes do noroeste peninsular utilizamos habitualmente.
O acesso por autoestrada revela-se relativamente simples assim que se conhece o percurso. A partir de Vigo ou Pontevedra apanha-se a A-55 ou a AP-9 até ao nó que conduz diretamente ao terminal; a partir do norte de Portugal, a A-28 ou a A-4 ligam com clareza. Convém prestar atenção à sinalética nos últimos quilómetros, pois os desvios para os parques de estacionamento de longa e curta duração surgem com pouco espaço de manobra. Se viajas em veículo próprio, chegar com pelo menos uma hora e meia de antecedência permite estacionar sem pressas e realizar o check-in ou o despacho de bagagem com tranquilidade. Quem prefere os transportes públicos pode utilizar o metro ou os autocarros dedicados que ligam ao centro do Porto, embora nas horas de madrugada ou ao final da noite a frequência diminua, sendo indispensável consultar os horários previamente.
Uma vez no interior do terminal, o controlo de segurança automatizado acelera de forma considerável o processo. Os tabuleiros são colocados num tapete rolante que os conduz através de scanners de última geração, e os passageiros passam por pórticos que detetam metais e líquidos com maior precisão do que os sistemas antigos. A passagem torna-se mais célere desde que os líquidos sejam transportados nos sacos transparentes de dimensão regulamentar e os aparelhos eletrónicos retirados com antecedência. Nas horas de ponta, em particular às segundas-feiras de manhã e às sextas-feiras à tarde, podem formar-se filas, mas o sistema automatizado encurta o tempo de espera quando comparado com terminais que ainda dependem de controlos manuais mais demorados. Manter os documentos de viagem à mão e seguir as orientações dos funcionários evita demoras escusadas.
Para quem precisa de trabalhar antes de embarcar, existem várias zonas dotadas de rede Wi-Fi rápida e tomadas acessíveis. A praça de restauração e cafés do piso superior disponibiliza mesas espaçosas e uma ligação fiável que permite responder a mensagens de correio eletrónico ou concluir um relatório sem interrupções. Encontram-se igualmente lugares sentados junto às portas de embarque com pontos de energia, ainda que nessas zonas o ruído de fundo seja mais intenso. Já cheguei a passar mais de uma hora a trabalhar remotamente a partir de uma das cafetarias situadas após o controlo de segurança, com uma bica na mão e a sensação de rentabilizar o compasso de espera de forma produtiva. A velocidade da ligação é, por norma, suficiente para videochamadas breves ou para o carregamento de ficheiros de dimensão moderada.
Antes de seguir para a zona de embarque, fazer uma paragem de alguns minutos para saborear um pastel de nata é quase um ritual. Vários estabelecimentos no interior do terminal dispõem de unidades acabadas de sair do forno, com a massa folhada estaladiça e o recheio cremoso tão típicos desta iguaria portuguesa. Comê-lo ao balcão ou comodamente sentado numa mesa próxima permite desfrutar do sabor sem comprometer o resto do itinerário. Alguns espaços preparam também versões de consistência ligeiramente mais densa ou com um toque extra de canela, ideais para quem aprecia um contraste mais vincado. Esse breve momento gastronómico torna a espera agradável e liga a viagem à terra de onde se parte.
Conhecer estes pormenores transforma por completo a vivência de partir em viagem a partir do norte português. O trajeto pela autoestrada deixa de ser uma incógnita, a passagem pela segurança processa-se com maior calma, o compasso de espera é rentabilizado e a última recordação gustativa antes de entrar a bordo evoca a região de origem. Desta forma, cada partida tem início com a serenidade de ter tratado previamente dos aspetos operacionais, deixando toda a atenção livre para o destino que aguarda do outro lado.